A Formação do Mundo Árabe
|
A19: A Expansão Muçulmana
| |
|
| |
|
Por volta do ano 570, na cidade de Meca, na Arábia, nasceu um menino chamado Maomé, destinado a criar um império que veio a sacudir o mundo desde a Europa até a Índia. Conta à tradição que, aos 40 anos, Maomé foi tomado de profundo sentimento religioso, começando sua pregação pública em 613. Os episódios seguintes sucederam-se com vertiginosa rapidez. Unidos pelos ensinamentos islâmicos de Maomé, mais tarde compilados no Corão ou Alcorão, os árabes conquistaram os países vizinhos, um após o outro, em poucas décadas, chegando até a fronteira da Espanha com a França, no Ocidente, e a Índia no Oriente. O Egito caiu em 641 e os 600.000 manuscritos da Biblioteca, penosamente acumulados ao longo de séculos, arderam durante meses nas caldeiras dos banhos públicos de Alexandria. O conquistador árabe que decretou tão doloroso fim ao repositório da cultura clássica, entendeu que os livros, ou repetiam os ensinamentos do Corão e eram supérfluos, ou os contrariavam e eram nocivos. Em ambos os casos deveriam ser queimados. Seu nome: Omar. Este triste episódio da História da Humanidade parecia prenunciar que o império árabe viria a tornar-se sinônimo de obscurantismo nas ciências e na cultura. O que ocorreu foi exatamente o contrário. Em pouco tempo os califas, palavra que significa sucessor (de Maomé), reconheceram a importância do saber e das artes e passaram a patrociná-los. O primeiro a fazê-lo foi Harum Al-Rachid, imortalizado nos Contos das 1001 Noites, que se cercou de sábios e artistas e, inclusive, ordenou que os Elementos fossem vertidos para o Árabe. Este fato foi de suma importância, pois muito mais tarde, esta foi a fonte a que a Europa recorreu para reencontrar os perdidos ensinamentos de Euclides. Seu filho, Al-Mamun, que reinou entre 813 e 833, continuou a obra do pai e determinou a pesquisa e a tradução em língua árabe de todos os antigos manuscritos gregos que pudessem ser encontrados, criando em Bagdá uma escola científica cuja biblioteca foi a melhor do mundo desde a que existira em Alexandria. Nas atividades culturais, cumpre destacar: - nas ciências, introduziram no mundo ocidental a numeração arábica, o conhecimento do zero e a utilização da álgebra. - na astronomia, fundaram vários observatórios astronômicos, realizando estudos sobre eclipses solares e lunares. - nas artes, possuíam um rico e variado estilo arquitetônico com o uso de arcos, finas colunas e cúpulas, que caracterizavam as mesquitas e os palácios, dentre os quais são admiráveis a mesquita de Córdova, com mais de mil colunas monolíticas.
| |
|
| |
|
UCG 2004 | |